domingo, 14 de fevereiro de 2016

Guerra Mundial : 18 países já estão envolvidos

Fui obrigado a interromper por algumas horas os meus estudos de jornais antigos dada a denúncia de Damasco de que a Turquia está invadindo a Síria. Bem que o Papa Francisco disse que já podemos estar em uma guerra mundial. Os fanáticos religiosos turcos jogaram a Turquia na guerra! É praticamente impossível impedir que a guerra se agrave e atinja outros países. Praticamente pode-se dizer que já está em curso uma guerra mundial. Obviamente o quadro econômico por trás dessa guerra é uma profunda crise mundial de superprodução, e o desenvolvimento desigual entre as potências, levando as potências decadentes do ocidente ao desespero e a lançarem todas as suas esperanças na guerra, uma guerra que não é capaz de vencer!

Naturalmente, os instigadores dessa guerra assim como de todas nas últimas décadas são os países da OTAN, mas vamos contar só 3 deles para chegarmos aos nossos 17, pois se não já teríamos que contar um quarto do mundo em guerra. Vamos contar só EUA, França e Grã-Bretanha, que são os mais assanhadinhos e que está atuando diretamente com pessoal em campo. O regime sírio, o Irã e a Rússia acusam esses países de terem financiado, armado, em outras palavras, criado o Estado Islâmico, e só fingir combatê-lo. Eles apóiam abertamente grupos rebeldes sírios, dizendo que são diferentes do Estado Islâmico.

A Síria é por enquanto o campo central da guerra, mas outros países já viraram palco de combates, caso do Iraque e do Líbano. O Curdistão está tentando nascer, o que exige uma guerra em três países – Síria, Iraque e Turquia. A Turquia, sobretudo depois de abater um caça russo, está condenada a virar campo de batalha, pois os russos para se vingarem só precisam armar os curdos. Em um novo ato pouco inteligente os fanáticos religiosos turcos estão invadindo a Síria para combater curdos, o que só envolve a Turquia ainda mais na confusão. Talvez ainda seja possível salvar a Turquia, mas seria preciso um golpe militar que derrubasse Erdogam e realinhasse a Turquia com a Rússia. Contemos então mais 5 países envolvidos até o pescoço – Síria, Líbano, Iraque, Turquia e os curdos tentando formar o Curdistão.

Como se sabe, Israel está envolvido, com tropas em campo, e sofre acusações de estar apoiando o Estado Islâmico. O objetivo israelense é o fim da Síria, para anexar seus territórios. A Síria diz que já prendeu até um general israelense combatendo lado a lado com os terroristas. O envolvimento de Israel envolve a Palestina, pois mesmo se odiando, são dois povos que vivem grudados, e estão em guerra. Uma guerra covarde por parte dos israelenses, mas guerra. O envolvimento da guerra de libertação do povo palestino com a guerra mundial que acontece em volta é inevitável. Temos portanto mais dois países envolvidos.

Um dos aspectos dessa guerra é que por trás estão Arábia Saudita e Irã, as duas grandes potências regionais, quase em guerra aberta. A Arábia Saudita tem liberado até seus presos para irem lutar ao lado do Estado Islâmico. O Irã por sua vez está em combate, com muitas tropas, tanto no Iraque quanto na Síria. A luta entre esses dois países se traveste e se mistura com a rivalidade entre xiias e sunas, que divide os muçulmanos. A guerra está às portas dos territórios desses dois países, ambos já envolvidos.

O envolvimento russo é antigo. Depois do esfacelamento da União Soviética a saída russa para o mar Mediterrâneo se tornou a Síria. Ademais, os ocidentais querem retirar a Síria da área de influência russa para passar por ali um gasoduto que libertará a Europa da dependência do gás russo. Ora, por que a Rússia deixaria? Por que abandonar tão importante aliado como o povo sírio? Os russos são aliados fiéis, e muitos russos moram na Síria. Lavrov, líder diplomático russo, já disse que “atacar Damasco é atacar Moscou”. Como se sabe, tropas e armamentos russos estão chegando em peso na Síria, e o Estado Islâmico e outros grupos de fanáticos religiosos estão sendo varridos do mapa. Os EUA, a Turquia, Israel, assim como a imprensa “brasileira” a serviço de EUA e Israel, estão desesperados para barrarem a Rússia. Os ataques turcos contra curdos na Síria estão protegendo o Estado Islâmico, são contra tropas que estão cercando cidades ocupadas pelo Estado Islâmico. Nesse momento os governos da Síria e da Rússia estão discutindo se abatem os aviões turcos ou não, quantos abater, se abater todos os que cruzam a fronteira ou abater só de vez em quando etc.

O mais discreto dos envolvidos é a China. Navios de guerra chineses já estão nas águas sírias. A China está apoiando Damasco também com pressão diplomática e sanções econômicas contra os EUA. O envolvimento distante chinês é uma das características mais interessantes dessa guerra, porque a rigor é uma guerra mundial que vai se desenrolando entre a China e os EUA. A China é a raiz da crise de superprodução, uma vez que tomou os mercados de todo mundo, gerando desindustrialização, mas consegue, sabiamente, manter a guerra ainda longe de seu território, apesar de estar na Ásia. Conter a China é agora o objetivo estratégico principal dos EUA, e a China sabe disso!

Além desses 14 países, a guerra persiste na Líbia e no Afeganistão, apesar de estarem desligados do terreno central da guerra. Como se sabe, muitos dos criminosos que invadiram a Síria, primeiro lutaram na Líbia, e muitos são líbios. Na retaguarda da Arábia Saudita, os xiias tomaram o Iemem, e a guerra está em curso, com envolvimento direto de tropas sauditas. Na Ucrânia também, em plena Europa, a guerra não dá sinais de que vai parar. Há alguns dias a Ucrânia pediu ajuda turca para retomar a Criméia da Rússia. Ou seja, convidou a Turquia para fazerem juntos a guerra contra a Rússia! Dois países governados por excrescências, a Turquia por fanáticos religiosos (em economia liberais e entreguistas), a Ucrânia por fascistas (em economia liberais e entreguistas).

O que faz Ucrânia e Turquia acreditarem que podem desafiar a Rússia (e a China por trás)? É a crença idiota de que receberão apoio massivo da OTAN. O pedido de ajuda ucraniano para os turcos devia ter ensinado a Erdogam o que a OTAN vale. A Rússia retomou a Criméia dos fascistas ucranianos, mantém rebeldes com armas e rublos no leste da Ucrânia, move uma guerra econômica contra Kiev, e que ajuda já enviou a OTAN? Instrutores para treinar os próprios ucranianos para morrerem, apoio diplomático, ou seja, uma banana. Se a OTAN não apóia europeus, porque acha Erdogam que arriscarão o pescoço por turcos?

Antes de passarmos para as probabilidades da continuidade dessa guerra, temos que perguntar, quanto tempo países como Jordânia, Egito, Argélia e outros membros da OTAN, como Itália e Alemanha, conseguirão se manterem afastados dessa guerra, se é que esses dois últimos realmente estão afastados. E o Japão? E as Coréias? E Taiwan?

Vamos agora às probabilidades. Tudo indica, sobretudo dada a irresponsabilidade de Erdogam, que a guerra vai esquentar. Um governante que transforma seu próprio país em campo de batalha de uma guerra mundial merece qual castigo? Nada do que ele receber em vida valerá o que a Turquia deve perder – grande parte do território para os curdos, e uma base naval em frente a Istambul para os russos, além de muitos milhões de vidas e muita destruição. Para resolver uma crise de superprodução como a atual é necessário destruir grandes parques industriais. Parece que o dos turcos foi escolhido pelas potências, e Erdogam não entendeu que ao o incentivarem à guerra estão empurrando-o para uma armadilha, um porco que vai para o abate. Já se devastou o que havia para se devastar na Líbia, na Síria, no Iraque. Mas perto da superprodução mundial isso não foi nada. Pode-se destruir a Ucrânia e a Turquia inteira e ainda não será bastante para acabar com a superprodução atual.

No caso de uma guerra total, as guerras regionais devem se misturar à guerra mundial, porque as regras, garantidas pelo jogo de forças, estarão suspensas. Países que mantém situações graças a apoios estrangeiros podem ficar sem esse apoio, animando seus adversários, ou seja, e desequilíbrio gera mais desequilíbrio. Por exemplo, se a China já estiver em guerra aberta com os EUA, Japão, Coréia do Sul e Taiwam poderão garantir suas pretensões contra os interesses chineses? Ora, o que realmente impede a China não é a força somada desses países com os EUA, é sim o fato de desejar evitar a guerra, uma vez que é o país que está se beneficiando da paz.

Toda a OTAN se envolverá? Isso é bem difícil. É mais fácil a OTAN acabar do que se envolver inteira nessa guerra. Os países da Europa sabem que serão os mais prejudicados. Na realidade, dependem atualmente de gás russo. O preço do gás está muito baixo, mas nem por isso os europeus podem ficar sem ele. Devem estar fazendo estoques, mas estoques explodem, e acabam de qualquer forma. A Alemanha estará disposta a ser destruída mais uma vez em benefício dos EUA? Fato é que podem acontecer surpresas, realinhamentos, no decorrer dessa guerra. Ademais, a guerra valorizará o petróleo e o gás, mesmo porque permitirá à Rússia destruir os parques petrolíferos de concorrentes adversários, principalmente da Arábia Saudita. Os russos não são mais soviéticos, o que os impede agora de destruir poços de petróleo desse inimigo confesso é somente a ameaça dos EUA.

Acontece que muita gente está dependendo dos EUA, que já está exausto. Na guerra de destruição da Líbia os EUA deram armas e combateram com navios que já estavam nas costas líbias, mas só Grã-Bretanha e França forneceram pilotos. Os efetivos dos EUA estão sendo cortados. Os gastos militares dos EUA já estão insustentáveis. Acontece que as linhas de comunicação dos EUA estão muito esticadas, as tropas dos EUA estão muito espalhadas em centenas de bases pelo mundo. Pior é que tudo isso é sustentado por uma economia cada dia menor.

Rússia e China, por outro lado, estão em uma estratégia defensiva, combatendo perto de casa, com tropas pouco espalhadas. Ademais, a economia chinesa está permitindo a produção de armas em escala industrial, até caças de guerra. A tecnologia russa, por sua vez, está superior à ocidental. Basta dizer que só russos e chineses estão no momento com poder de enviar pessoas ao espaço. No caso de guerra total, essa vantagem será usada.

Para o Brasil serão tempos de oportunidades e de grande perigo. A oportunidade é porque estamos longe do cenário principal da guerra, e muitos mercados se abrirão, uma vez que no velho mundo estarão se destruindo mutuamente. O perigo é que quando os EUA forem derrotados no velho mundo eles não desistirão de dominar a América, e tentarão tirar sobre nós a desforra de terem perdido o mundo. 

6 comentários:

Choldraboldra disse...

"O conflito militar na Síria e em outros lugares no Oriente Médio, a agitação das tensões pela OTAN ao longo das fronteiras da Rússia, e a engenharia de disputas territoriais entre a China e os países vizinhos estão todos atados com a dolorosa resposta do Ocidente ao fim da globalização da economia e à redução do comércio mundial em curso." (Valentin Katasonov, Comércio mundial: Os sinais de advertência de 2015, Strategic Culture Foundation, http://choldraboldra.blogspot.com.br/2016/03/comercio-mundial-os-sinais-de.html)

Lins Troia disse...

Seria uma guerra mundial, realmente uma ferramenta para equilibrar a economia? Até que ponto os fomentadores dessa guerra conseguiria manter o controle sem que houvesse uso de armas nucleares? Há muito no que se pensar.

Lins Troia disse...

Seria uma guerra mundial, realmente uma ferramenta para equilibrar a economia? Até que ponto os fomentadores dessa guerra conseguiria manter o controle sem que houvesse uso de armas nucleares? Há muito no que se pensar.

Unknown disse...

Isso enquanto a China estiver desinteressada do estragado velho mundo. Sem contar com o maluquinho da Coréia do Norte.
A China dispõe de todas as altas tecnologias de guerra e uma sobra de 100 milhões de pessoas para fomentar guerrilhas onde quiser.
Mas ela prefere ir comendo o mundo pelas beiradas... no que faz muito bem.
O chato vai ser se o maluquinho resolver jogar pedra na vidraça do ocidente.

Alex Lombello Amaral disse...

O perigo nunca foi a Coréia. O perigo, como sempre, são os EUA.

Alex Lombello Amaral disse...

A única forma (capitalista) rápida de resolver uma crise de superprodução é uma grande guerra... Ela só ainda não começou exatamente porque existem bombas nucleares.